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Entrevista com o poeta Edson Ricardo Paiva

 

 

 

1 A poesia assumiu alguma tarefa em sua ūüߨ vida?

 

 

  1. Sim, eu creio que sim! Houve um tempo em minha vida que eu queria ser atleta, em outro eu sonhei ser cantor, depois quis ser violonista, ser um cara legal, ser pescador...mas todas essas coisas exigem a presença de outras pessoas que interajam com a gente de alguma forma...e as outras pessoas normalmente estão ocupadas, vivendo as suas próprias vidas e eu nunca tive certeza se desejava fazer parte da vida delas. Escrever poesia foi uma saída solitária de sublimar, de certa forma, alguma coisa que eu precisava deixar ao mundo, sem que houvesse a necessidade de uma interação imediata: você escreveu um poema e ele é seu, é sua marca no mundo, é um registro da sua passagem pela vida, se não pra esta, talvez para alguém de uma geração futura. Quem me conhece pessoalmente sabe que eu sou uma pessoa que faz muito barulho, fala alto, conversa bastante; mas não é dessa maneira que eu gostaria de ser lembrado, então eu vou deixar ao mundo o meu silêncio em forma de poesia.
  2. Quando iniciou seus poemas?

  3. 2. Quando eu comecei meus primeiros esbo√ßos, creio que era 1984, e eu me inspirava nas letras de um amigo que √© m√ļsico e autor de suas pr√≥prias can√ß√Ķes. Dos poetas famosos de nossa literatura eu admiro uns poucos poemas, d√° pra contar nos dedos de uma das m√£os, mas s√£o poemas lindos, verdadeiras obras primas. Um √© de autoria de Vicente de Carvalho e se chama "velho tema", tem tamb√©m um poema de Bastos Tigre e outro de Luiz de Cam√Ķes. Eles serviram pra me inspirar inicialmente, mas com o tempo eu cheguei √† conclus√£o que precisava desenvolver um estilo meu, um jeito pr√≥prio de escrever sem a influ√™ncia de ningu√©m. Se existe alguma coisa que eu preciso ter em mente? Sim, transmitir o m√°ximo de informa√ß√Ķes, causar o m√°ximo de sensa√ß√Ķes que eu puder causar na pessoas que vai ler, utilizando pra isso o m√≠nimo de palavras. Edu costumo dizer que muitas vezes um poema diz o mesmo que um livro, mas √© infinitamente mais sucinto e utiliza apenas uma ou duas p√°ginas.

4.. Se o poeta nasce poeta? Creio que definitivamente n√£o. Ningu√©m escolhe ser poeta e come√ßa a escrever e se torna um poeta. √Č preciso que a poesia escolha voc√™. Eu tenho plena consci√™ncia que existem poetas muito melhores que eu, se √© que mais algu√©m al√©m de mim me v√™ como poeta. Eu sei que tenho alguns poemas razo√°veis porque fui classificado em concursos, outras vezes fui procurando por gente desconhecida me pedindo autoriza√ß√£o pra usar um ou outro poema em algum evento e at√© pela quantidade de poemas que outras pessoas se apossaram e publicaram na internet como se fosse de autoria delas. Mas, voltando ao assunto: eu acredito que √© a poesia que escolhe o poeta, pois os meus melhores poemas, depois de conclu√≠dos, sa√≠ram extremamente diferentes daquilo que eu queria escrever na hora que me sentei pra escrever. As palavras v√£o surgindo, o sentido vai tomando outro rumo e voc√™ gosta daquilo que o poema est√° se tornando, ao longo do cria√ß√£o. Muitas vezes, depois dele pronto, eu disse pra mim mesmo: n√£o fui eu que fiz isso!

5. O que eu acho deste site? Eu achei muito bacana a sua iniciativa de criar este site, inclusive a utilização da palavra "concurso" foi uma escolha muito feliz, pois incentiva os novos poetas a buscar a excelência, sendo apoiado por outros poetas, seja com o seu trabalho, seja pelas palavras de incentivo, assim como eu vejo que você tem encorajado os participantes a postar cada vez mais, pois é só a prática que conduz à perfeição e aquela coisa de escolher um grupo no final de cada semana acaba por encorajar aos mais iniciantes que procurem melhorar cada vez mais, buscar a sensibilidade latente que existe na alma da gente. Uma hora a poesia acaba escolhendo você.
N√£o escolhemos a poesia, a poesia escolhe o poeta. Mas existe muita poesia esperando pra ser escrita, ela t√° procurando a pessoa certa.

6. Alguma sugestão? Busque um poema pra chamar de seu. Escolha um poema que você gostaria de ter escrito, escreva ele num papel, procure analisar cada palavra, cada estrofe e tente entrar na alma do autor no momento que escreveu aquilo.
Principalmente: conheça as classes gramaticais da nossa língua portuguesa. Procure analisar a métrica... essas coisas básicas que muito bom poeta perde a oportunidade de progredir por puro desconhecimento que estava ao seu alcance por preguiça de pesquisar.
Um poeta que despreza a l√≠ngua portuguesa √© como um violino que decora as cifras, mas n√£o sabe nada sobre a estrutura de tr√≠ades .. √© como uma pessoa que pega o √īnibus pela c√īr. Ningu√©m precisa ser bacharel ou doutor em nada, mesmo porque o nosso sistema educacional t√° t√£o ou mais maltratado que a arte. Arme -se de conhecimento e seja parte da resist√™ncia.

7_ A poesia √© importante na vida do jovem?a poesia √© importante na vida de qualquer pessoa em qualquer idade, assim como todas as manifesta√ß√Ķes art√≠sticas, principalmente nos dias de hoje, que a arte e todas as suas manifesta√ß√Ķes se encontram t√£o maltratadas. Eu acho que o pintor talentoso deve continuar pintando, o bom m√ļsico ou escultor, assim como o poeta deve continuar trabalhando n√£o por fama ou dinheiro ou reconhecimento, mas pra manter a arte viva, a verdadeira arte, a arte leg√≠tima, pois o que est√° imperando no mundo de hoje √© um arremedo de arte, maltratada e prostitu√≠da. Pessoas sem um m√≠nimo de talento ou sensibilidade √© que est√£o fazendo sucesso e sendo ovacionadas. Eu acredito que o verdadeiro artista √© como aquela m√£e da par√°bola de Salom√£o e sua sabedoria: ela preferiu ver o filho ser criado por outra m√£e, desde que lhe fosse permitido viver.

8.Momento marcante da poesia em sua vida

Quando eu era crian√ßa, costumava assistir aos filmes do zorro; eu admirava a sua coragem, sua valentia, seu desprendimento e nobreza. Curiosamente eu n√£o gostava de uma caracter√≠stica de Don Diego, que era o fato de ele ser poeta. A poesia entrou na minha vida num dia da adolesc√™ncia em que, num momento de muita ang√ļstia, eu estava em sala de aula e a professora de l√≠ngua pra pegou o livro e recitou um poema de Vicente de Carvalho que estava l√°: aquele foi um momento m√°gico, pois aquelas palavras, lidas daquela maneira, passaram rapidamente pelos meus ouvidos e foram se instalar na minha alma, onde est√£o at√© hoje. Creio que a maneira que a recitamos ou que a recebemos intimamente, numa leitura solit√°ria e silenciosa √© a segunda metade do poema. O poeta faz a parte dele ao escrever o poema, mas se nossa alma n√£o estiver receptiva naquele momento, a melhor poesia √© letra morta.

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