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Saudades

Saudades

            Ah que saudades do tempo que eu corria na praia de Copacabana. Do tempo que eu bebia mate e comia mentira carioca. De que eu tomava sorvete na praia.

            Ah que saudades do tempo, que eu ficava dentro da água do mar. Depois de horas os meus lábios ficavam roxos e as minhas mãos e pés enrugados.

            Ah que saudades de pegar jacaré, de pular as ondas, de mergulhar e vê-las passar por cima de mim se arrebentando na praia.

            Ah que saudades de voltar à tona com quem volta para um lugar de sol, mar e esplendor. De ver o brilhar das águas do mar, de dia a luz do sol como ouro, à noite a luz da lua como prata.

            Ah que saudades de ver os peixinhos nadando perto dos meus pés. De pegar conchinhas, de fazer castelos de areia, de caçar Tatuí e pegar água-viva e correr atrás da meninada.

            Ah que saudades de conversar com os salva-vidas, lembrar de um que sempre me emprestava a boia dele de trator. De ver como o fotógrafo fazia as fotos.

            Ah que saudades de observar as pessoas sem seus balcões, nas suas janelas e passando lá embaixo na rua do meu edifício.

            Ah que saudades de ir pulando na calçada, nas pedrinhas pretas e brancas com desenhos das ondulações de quando eu menina ia para escola.

            Ah que saudades de ver o sol nascer tão grande, vermelho de sentir, o cheiro do mar e de ouvir o barulho das ondas e o frescor do vento nos cabelos, nas caminhadas que eu dava.

            Ah que saudades do feijão com arroz, batata frita, bife e salada, da farofa de banana, do ovo estrelado no pedaço de bisnaga, do guaraná, do pão doce com creme, do café com leite e pão com manteiga.

            Ah que saudade das coisas gostosas que vendiam em frente à escola, do quebra-queixo, da maria-mole, do suspiro, da cocada preta, da bananada, do doce de abóbora e o doce mais doce que era o doce de batata doce.

            Ah que saudades de sentir o calor do sol na pele, o frio da água do mar e o frescor do vento. Tudo isso me deixou cheia de sardas.

            Hoje vejo as sardas na minha pele, elas ficaram como se cada uma fosse uma história que se contasse de um tempo que se passou, que não voltará. Deixaram marcas de felicidade dentro da alma de uma mulher, que hoje vive dos sonhos que viveu. Eu tenho a certeza que eles foram: bons, autênticos e verdadeiros, do meu tempo de menina.

Um texto que relada as belezas do Rio de Janeiro e a imensa saudade de quem está longe

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Dulce Regina Magnani

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