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Contas

 

 

📜 Contas

 

E então

Você pega um lápis

e aponta

Faz de conta que é poeta

Numa folha de papel vão caindo letras lá do céu

 

E depois ajunta todas elas e conta

Conta como vai a vida

As coisas que o tempo apronta

 

Logo após, o aponta novamente

Faz a conta

das vezes que errou

e divide

pelos acertos que teve

e soma às manobras da vida

 

O que sobra

Um lápis sem ponta

As marcas que o mundo fez

Cicatrizadas

Pelos golpes que o tempo monta

e de novo o aponta

 

Esvaindo seu tempo sem conta

Tentando outra vez

Apontar uma estrela

Entre o Céu e a Terra

Faz as contas de novo

e de novo ele erra

 

Faz de conta que conhece exatamente

qual é o mês que o calendário indica

Admite que o poeta mente

se escreve feio ou bonito

mas escreve pra acalmar a vida

pois a vida é brava

 

Cruel servidora do tempo

o que vale é o escrito

e o tempo é o que conta

 

Escreve sempre que acredita

Que um dia vão cessar

Todas as contas

Inclusive a passagem do tempo

Quando as letras, enfim

Se combinarem

E o poema escrito

Deixa a vida mais bonita

 

O lápis, já sem ponta

aponta o dia que passou

e a tarde que foi perdida

as coisas que o tempo leva

sendo bem ou mal aproveitadas

 

Pode ser até que ninguém

tenha entendido nada

daquilo que está escrito

feio ou bonito

 

Não há meio de apagar

o feito, o dito, o efeito causado

 

Edson Ricardo Paiva

 

 

Essa letra é linda, super reflexiva! É como se a escrita fosse uma forma de organizar o caos da vida, né?

Apontar o lápis e transformar sentimentos em palavras, contar os erros e tentar dividir o peso das coisas... parece um exercício de autoconhecimento muito sincero.

Você escreveu isso? Adorei a forma como você descreveu o processo de transformar a vida em poesia! 📝✨

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