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Entre os cacos, eu

Entre os cacos, eu
Peças de mim que se recusaram a quebrar

Depois de tanto analisar os padrões falhos dos meus relacionamentos,
entendi, enfim, quem foi o culpado de tudo isso:
você.

Aos olhos dos outros,
o bom samaritano.
O homem enganado por uma mulher.
Aquele que criou sem obrigação.

Mas aos olhos de quem viveu essa história,
você foi o manipulador.
O agressor.
Aquele que abortou um feto já vivo.

Me pergunto como não percebi os sinais
eles estavam lá, o tempo inteiro:
no olho roxo dela,
no pé quebrado,
nas marcas espalhadas pelo corpo,
sempre seguidas das velhas desculpas:
“caí da escada”,
“escorreguei no banheiro”,
“bati o olho na maçaneta da porta”.

Desculpas que transformam o corpo de uma mulher em mapa de silêncio
segredos que uma criança não sabia decifrar.

Mas um dia, eu disse basta.
Lembro como se fosse agora:
a garotinha de voz trêmula e olhos assustados
presenciou a cena
e disse, com firmeza,
que aquela seria a última vez
que você encostaria na mãe dela.
E foi.

Mas não deixaram que ela te apagasse da vida.
Anularam sua raiva.
E mesmo depois de tudo,
você conseguiu ser pior do que eu imaginava.

Você abortou aquela menina em vida.
Arrancou o sobrenome,
rasgou a identidade de quem ela pensava ser,
quebrou sua autoestima
com palavras que nenhuma criança deveria ouvir.

Tudo por um ego masculino frágil,
e por um desejo doentio
de atingir o ponto fraco
de uma mulher que se recusou a continuar apanhando.

Você preferiu atuar.
Encenar.
Inventar uma versão.
E depois, esquecer.

Como se esquece uma música ruim.
Como se esquece o nome do caixa do supermercado.
Como se esquece o que almoçou no domingo.

Mas não como se esquece um filho.

Tudo isso
só pra não assumir
a sua parte de culpa.

Pra não encarar o espelho
e ver que parte do que eu me tornei
foi você quem destruiu.

Mas hoje eu enxergo.
E entre os cacos que restaram,
reconstruí o que era meu.

Porque nunca mais
vou permitir que outro homem
tenha o poder
de me reduzir
ao que sobrou de mim.

Esse trecho parece ser o início de um livro ou de um texto literário muito intenso e confessional, talvez o primeiro capítulo de “Entre os cacos, eu — Peças de mim que se recusaram a quebra


🌙 Resumo 

A narradora reflete sobre os traumas de sua infância e os efeitos devastadores de um relacionamento abusivo que marcou sua família. Após anos tentando entender por que seus relacionamentos fracassavam, ela percebe que a raiz de tudo está em uma figura masculina — o pai ou padrasto — que, apesar de ser visto pelos outros como um homem bom e injustiçado, era na verdade um manipulador e agressor.
Ela recorda as violências físicas contra a mãe, as marcas escondidas sob desculpas banais, e o momento em que, ainda criança, teve coragem de enfrentá-lo e pôr fim àquela violência. Mesmo assim, o agressor continuou a destruí-la de outras formas, apagando parte de sua identidade e quebrando quem ela poderia ter sido

Muito bom.

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Ella L.

Violência contra as mulheres e em especial com mães fazem do ser não ser humano, pois se até os animais não agem dessa forma, como deveriam viver pessoas que procedem assim?

Abortar não seria a solução, pois seria como matar um ser vivo que vive dentro de uma mãe.

Parabéns,

um texto muito verdadeiro

Abraços

 

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adminElla L.

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