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Poema

Eu não sou que nem nada

Acho ser assim que sou

E tenho sido e era 

Assim, passando ano após ano 

e mês e hora...e agora?

Estou sentado aqui, sozinho 

Na única madrugada da vida 

Em que todos os grilos do mundo

Decidiram irem dormir mais cedo 

E todos os gritos surdos 

E choros contidos 

De todos aqueles que choram 

Escondidos pelo silêncio da madrugada 

Cheguei meus ouvidos perto da janela 

O único lamento que eu escuto 

Vem do alto 

Deve ser de alguma estrela 

Hoje o céu está repleto delas 

Será que são que nem nós 

E também se sentem sós

Entre os iguais?

Ou será que cada um 

Daqueles castiçais celestes 

Repletos de velas acesas

Por terem, de alguma forma 

Acessado às verdades que desconhecemos 

Sejam menos inclinadas 

A sentirem-se felizes 

Ou será que estão sabendo 

Haver algum sentido 

Em ser que nem eu 

E não ser que nem nada 

Nessa estranha madrugada 

Em que todos os grilos do mundo 

Por saberem-se culpados

Decidiram irem dormir mais cedo

Pra permanecer calados

Apenas uma estrela chora 

Um choro bem baixinho 

Acho que, em sinal de solene respeito 

Todas as demais, perenes 

Vão permanecer caladas

Sendo assim, que nem nada.

 

Edson Ricardo Paiva.

 

Edson Ricardo Paiva

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Lia

Notável inspiração. Saudações POéticas

Sensível,bela.

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