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Citação de Zizzi em outubro 28, 2023, 3:56 pm
Naquele Domingo, 20 de julho de 1969, mamãe convidou toda a família para um grande jantar regado a sopa e a bolo de fubá. Um por um, eles foram chegando: Vovô Antônio e vovó Anália; tio Toninho e tia Elda; tio Pepino, tia Miquelina, tio Luiz e tia Albertina, tio Zezinho e tia Dororata. Vizinhos da direita: Dona Ofélia e seu Alfredo. Da esquerda: Seu Alcedino e dona Alice. Além de outros convidados. Um total de 20 a 30 pessoas. Mas tudo compensava. Era um dia especial e emocionante. O mundo aguardava ansiosamente pelo momento em que o homem pisaria na Lua!".
Após o jantar todos se sentaram ao redor da TV. TV? Sim! Não dessas de hoje. Era daquela feita de madeira com uma folha de plástico que transformava a TV preto e branco em colorida. "A imagem era ruim, com muitos ruídos e piscadas que irritavam os ouvidos". Bem. Na sala, palpites dos mais variados e até proféticos: Tia Miquelina abanando - se com seu leque de pena de Peru que, aliás, tampava a visão de todos, exclamou: “Hoje poderemos conhecer os nossos irmãos lunáticos!” Já tia Dolorata respondeu: “Será que algum deles é solteiro?” Do outro canto da sala, meus tios Antoninho e Zezinho faziam cálculos: Se partiram tal hora e se não pararam em alguma esquina para um cafezinho.... chegarão daqui a meia hora.
Minha mãe e minha tia Elda ficaram tão eufóricas que, no meio daquele tumulto, saíram sorrateiramente e foram para a rua. Logo gritaram: "Olhem lá! São eles no céu!" Todos correram alegres, mas era um alarme falso - era apenas um balão de festa junina. Rapidamente, todos voltaram para seus lugares. Caía a madrugada e muitos haviam adormecido. O ronco misturado à chiadeira da TV dificultava a audição. No entanto, vez ou outra, um locutor dizia: 'Estão se aproximando! "A fala acordou a turma dos roncadores e eles começaram a gritar: 'Tia Dolorata disse: “É Louis Armstrong! Gosto muito do seu trompete. Grande músico. Não sabia que virou astronauta?' Tia Miquelina emendou: 'É Neil Armstrong, Adolorata! O astronauta que nunca tocou flauta doce!'" Meu primo José e eu ficamos com os olhos fixos na TV, assistindo à programação que ia e vinha. A felicidade era tanta que víamos de tudo. Até a Vó Anália soltou: "Olhem, o Saci Pererê está pulando ao lado do astronauta!" Na verdade, era a bandeira americana com seu mastro fincado no chão. Mas nem pensamos em questionar a vovó. A prima Margarete até apontou um príncipe encantado, talvez porque estivesse solteira e sem nenhum pretendente, estava se agarrando a qualquer um. Os poucos que estavam acordados começaram a contagem regressiva: 10, 9, 8, 7, 6... E quando o cuco bateu 2h56 da madrugada, o galo do vizinho soltou um "cocorocó". Meu primo soltou essa frase: "Será que o galo do seu Alcedino está vendo mais do que a gente?".
Bem, um grito acordou a todos! Era a voz do nosso tio Giuseppe: "Belo, belo, olhem nossos irmãos lunáticos?!" Mas logo ele caiu novamente no sono. Finalmente, o tio Luiz pegou a sua cadeira e falou claramente: "Chega de bobagem! A Lua é dos namorados! Vou dormir." Naquele momento, ouviu-se o astronauta Neil Armstrong dizer: ""That's one small step for man, one giant leap for mankind.". A situação piorou ainda mais! Como ninguém entendia inglês, a tia Elda falou: "Ele disse que tem muita gente na Lua." Tio Pepino concordou e acrescentou: "Sim, é verdade. Ao lado dele, estou vendo um ET". Mas, na verdade, não era um ET, era o outro astronauta, Edwin Aldrin, como explicou tio Toninho. Enquanto cada um tentava decifrar as palavras do astronauta, vovô Antônio pegou um dicionário e começou a traduzir:
One - Um
Small - Pequeno
Step for man - Passo para o homem
One giant leap for mankind - Um salto gigante para a humanidade. Dona Ofélia só ouviu a palavra "gigante" e bradou: "É uma terra de gigantes!" Aí a situação piorou. O coro aumentou: 'Se há um gigante, deve haver um dinossauro', disse dona Alice. Seu Alcedino, tentando acalmar os boatos, gritou: 'Seja lá o que for, eu vou para casa dormir, pois amanhã tenho mais o que fazer na minha loja.'" Enfim, do nada a TV apagou. Tio Zezinho até tentou consertar, mas uma válvula esquentou tanto que acabou queimando. Para piorar a situação, a luz acabou e alguns foram para a rua admirar a Lua, enquanto outros foram embora desolados. Eu acabei indo dormir, tropeçando no escuro e adormeci. Esse foi o dia 20 de julho de 1969. Espero que não tenha que passar por algo assim tão cedo. Deus que me livre!
Naquele Domingo, 20 de julho de 1969, mamãe convidou toda a família para um grande jantar regado a sopa e a bolo de fubá. Um por um, eles foram chegando: Vovô Antônio e vovó Anália; tio Toninho e tia Elda; tio Pepino, tia Miquelina, tio Luiz e tia Albertina, tio Zezinho e tia Dororata. Vizinhos da direita: Dona Ofélia e seu Alfredo. Da esquerda: Seu Alcedino e dona Alice. Além de outros convidados. Um total de 20 a 30 pessoas. Mas tudo compensava. Era um dia especial e emocionante. O mundo aguardava ansiosamente pelo momento em que o homem pisaria na Lua!".
Após o jantar todos se sentaram ao redor da TV. TV? Sim! Não dessas de hoje. Era daquela feita de madeira com uma folha de plástico que transformava a TV preto e branco em colorida. "A imagem era ruim, com muitos ruídos e piscadas que irritavam os ouvidos". Bem. Na sala, palpites dos mais variados e até proféticos: Tia Miquelina abanando - se com seu leque de pena de Peru que, aliás, tampava a visão de todos, exclamou: “Hoje poderemos conhecer os nossos irmãos lunáticos!” Já tia Dolorata respondeu: “Será que algum deles é solteiro?” Do outro canto da sala, meus tios Antoninho e Zezinho faziam cálculos: Se partiram tal hora e se não pararam em alguma esquina para um cafezinho.... chegarão daqui a meia hora.
Minha mãe e minha tia Elda ficaram tão eufóricas que, no meio daquele tumulto, saíram sorrateiramente e foram para a rua. Logo gritaram: "Olhem lá! São eles no céu!" Todos correram alegres, mas era um alarme falso - era apenas um balão de festa junina. Rapidamente, todos voltaram para seus lugares. Caía a madrugada e muitos haviam adormecido. O ronco misturado à chiadeira da TV dificultava a audição. No entanto, vez ou outra, um locutor dizia: 'Estão se aproximando! "A fala acordou a turma dos roncadores e eles começaram a gritar: 'Tia Dolorata disse: “É Louis Armstrong! Gosto muito do seu trompete. Grande músico. Não sabia que virou astronauta?' Tia Miquelina emendou: 'É Neil Armstrong, Adolorata! O astronauta que nunca tocou flauta doce!'" Meu primo José e eu ficamos com os olhos fixos na TV, assistindo à programação que ia e vinha. A felicidade era tanta que víamos de tudo. Até a Vó Anália soltou: "Olhem, o Saci Pererê está pulando ao lado do astronauta!" Na verdade, era a bandeira americana com seu mastro fincado no chão. Mas nem pensamos em questionar a vovó. A prima Margarete até apontou um príncipe encantado, talvez porque estivesse solteira e sem nenhum pretendente, estava se agarrando a qualquer um. Os poucos que estavam acordados começaram a contagem regressiva: 10, 9, 8, 7, 6... E quando o cuco bateu 2h56 da madrugada, o galo do vizinho soltou um "cocorocó". Meu primo soltou essa frase: "Será que o galo do seu Alcedino está vendo mais do que a gente?".
Bem, um grito acordou a todos! Era a voz do nosso tio Giuseppe: "Belo, belo, olhem nossos irmãos lunáticos?!" Mas logo ele caiu novamente no sono. Finalmente, o tio Luiz pegou a sua cadeira e falou claramente: "Chega de bobagem! A Lua é dos namorados! Vou dormir." Naquele momento, ouviu-se o astronauta Neil Armstrong dizer: ""That's one small step for man, one giant leap for mankind.". A situação piorou ainda mais! Como ninguém entendia inglês, a tia Elda falou: "Ele disse que tem muita gente na Lua." Tio Pepino concordou e acrescentou: "Sim, é verdade. Ao lado dele, estou vendo um ET". Mas, na verdade, não era um ET, era o outro astronauta, Edwin Aldrin, como explicou tio Toninho. Enquanto cada um tentava decifrar as palavras do astronauta, vovô Antônio pegou um dicionário e começou a traduzir:
One - Um
Small - Pequeno
Step for man - Passo para o homem
One giant leap for mankind - Um salto gigante para a humanidade. Dona Ofélia só ouviu a palavra "gigante" e bradou: "É uma terra de gigantes!" Aí a situação piorou. O coro aumentou: 'Se há um gigante, deve haver um dinossauro', disse dona Alice. Seu Alcedino, tentando acalmar os boatos, gritou: 'Seja lá o que for, eu vou para casa dormir, pois amanhã tenho mais o que fazer na minha loja.'" Enfim, do nada a TV apagou. Tio Zezinho até tentou consertar, mas uma válvula esquentou tanto que acabou queimando. Para piorar a situação, a luz acabou e alguns foram para a rua admirar a Lua, enquanto outros foram embora desolados. Eu acabei indo dormir, tropeçando no escuro e adormeci. Esse foi o dia 20 de julho de 1969. Espero que não tenha que passar por algo assim tão cedo. Deus que me livre!
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